AVALIAÇÃO ESCOLAR - UMA DISCUSSÃO NECESSÁRIA!
Quem não sentiu um frio na barriga ao fazer uma avaliação, mais conhecida erroneamente nas escolas como prova? A prova assusta! Alguns dizem da sua necessidade, outros a negam. Mas de qualquer forma, este instrumento continua a ser um balizador nos processos de avaliação em muitas escolas, concursos, etc. Mas, falar de avaliação não é remeter o nosso olhar apenas para a prova. Gostaria de apresentar uma reflexão partindo de uma idéia de avaliação escolar não apenas centrada em suas ferramentas (provas, trabalhos, apresentações, etc), mas vizualizá-la como um processo de aprendizagem.
Desde que nascemos, estamos constantemente aprendendo. Todos os momentos de enfrentamento, seja, com questões singulares para os adultos ou complexas para as crianças são momentos de aprendizagem e avaliação. Assim, não existem momentos fixados para um ser humano prestar avaliação de algo que fez. Pensando dessa forma, podemos dizer que a avaliação constante é um processo ético, onde o sujeito deve escolher pelo bem e o mal, discernindo sobre sua opção com maturidade. Ainda que isso seja possível, nem sempre nossas escolhas são para o nosso bem. Então, é momento de parar, refletir, analisar e acima de tudo, avaliar. Avaliar quais as contribuições e o que poderia ter sido feito melhor, para que da próxima vez nossas escolhas também sejam melhoradas.
Assim deve ser encarada a avaliação. Avaliar é um processo que envolve a reflexão. Nos espaços escolares, a avaliação deve ser encarada como um termômetro que dê uma perspectiva da intensidade das aprendizagens que por ora, serve para o professor refletir sobre o ensino e ao educando a reflexão sobre a sua aprendizagem. Dessa forma, a avaliação vem a colaborar para o processo de construção de uma metodologia escolar e que, de fato, avaliação e não acerto de contas melhore os processos de ensino-aprendizagem.
Como realizar essa dimensão educativa? Quais ferramentas utilizar? O primeiro passo é que a escola seja vista como um espaço de aprendizagens continuadas e não como um fim em si mesma. O que quero dizer com isso é que a escola não pode ser vista como um processo de seleção de humanos, onde se qualifica alguns para a vivência social e outros sem a mínima condição, pois a mesma perderá seu papel social. De outro lado, critérios são necessários e, os mesmos devem ser construídos juntamente com a comunidade que dele fará parte. Dentro dessa concepção, todas ações pelas quais o sujeito se faz existir no ambiente escolar representam sua avaliação. Então, não é o professor que define ou avalia; o professor apenas é mediador desse processo. A base da avaliação passa a ser a mesma da aprendizagem: o interesse. Caso o interesse não seja demonstrado, é interessante que se reflita o que houve, mas que se considere ainda como critério para a progressão continuada dos saberes e aprendizagens.
Vivemos uma época onde a falta de critérios determina as ações humanas. Na escola, mais exatamente nos processos de avaliação escolar, devemos estar bem atentos para não cairmos nos dois extremos, cito o primeiro como um excesso de centralização nos resultados, uma vez que aprendizagem é construção e o segundo, o abandono de instrumentos claros e capazes de conciliar aprendizagem como interesse. Abraços